sábado, 6 de junho de 2020

Já chega de Chega

Há muitos anos tinha um negócio que me levava a idas semanais aos CTT, de onde expedia dezenas de ‘pacotinhos de felicidade’ para jovens casais apaixonados, que decidiam apimentar a sua vida íntima com artigos disponibilizados pelo meu website. Entretanto a Amazon, e-Bay e outros gigantes, mandaram-me esse negócio ao fundo, mas o mundo não acabou, até porque estou focadíssimo em novas fontes de entusiasmo – e rendimento. Mais ou menos por volta do dia 21-22 de cada mês, a estação de correios das Olaias – entretanto encerrada em virtude das reestruturações que a empresa tem sofrido depois de ser privatizada – acolhia um fluxo de clientes invulgarmente elevado, a maioria dos quais a procederem ao levantamento dos seus vales de rendimento mínimo, desemprego, reforma, inserção social e afins.

Sentado num canto, com a minha cadela Rotweiller – cuja presença era autorizada pelo chefe da estação, que conhecia a boa disposição e natureza da bicharoca – eu esperava pacientemente pela minha vez. Na altura ainda não era entretido pelo maravilhoso mundo das redes sociais, como agora, mas afagava o pêlo negro da Anouk, que se deitava tranquilamente no chão e aguardava pela hora de ser atendida pelo Jorge. Este amigo colocava-lhe então rolos de fita de papel de impressora (usados) na boca e todos nos divertíamos a pôr a conversa em dia enquanto as minhas encomendas eram processadas ao som do delírio da Anouk a roer o seu rolinho de cartão.

Nos tais dias 21-22, ocasionalmente entravam grupos grandes, tradicionalmente vestidos de preto, a falarem consideravelmente mais alto do que o volume médio dos restantes ocupantes da estação, e, genericamente, a armarem confusões frequentes com os ditos ocupantes ou funcionári@s. O cenário incluía regularmente uma septa-ou-octogenária que mal se conseguia mexer e que recebia alguns euros ao balcão, depois de assinar um formulário com a sua impressão digital. O líder do grupo recolhia então a dita verba e todos regressavam ao bólide de grande cilindrada – normalmente alemão – estacionado no local reservado à carrinha dos CTT.

Se me perguntassem quão agradado ficava com este cenário com que me deparei mensalmente durante duas décadas, responder-vos-ia que não, não ficava nada agradado. Aliás, vinha para casa a sibilar impropérios, que provavelmente roçariam alguns dos disparates que ouvimos saírem da boca de André Ventura.

Mas as minhas semelhanças com o líder do Chega terminam precisamente nesse ponto e fica já aqui o forte aplauso a Ricardo Quaresma e Catarina Martins que, esta semana, o meteram no sítio ou, como disse – e bem – o nosso primeiro, lhe deram um baile.
O problema de André Ventura é que não entende que não são só os cidadãos de etnia cigana que vão buscar verbas aos CTT sem terem contribuído para as ditas; há por aí muito empresário engomadinho, ou jovem que atendeu chamadas num call-center durante o período mínimo legalmente requerido para poder receber subsídio de desemprego, que também o fazem. Não são só os ciganos que violam as regras do isolamento social, porque eu passo pelo Jardim Fernando Pessa a caminho das minhas compras semanais e o espaço, antigamente ocupado por meia dúzia de donos de cães, agora mais parece Alexanderplatz durante o OktoberFest.

O problema do André Ventura é que culpa as minorias por problemas que são causados pela maioria.

Ora puxemos pela cabeça, exercício que é sempre melindroso, mas malogradamente necessário. Quando um empreiteiro prefere meter imigrantes cabo-verdianos a alombarem com tijolos, porque trabalham mais barato e, eventualmente, não abrem a boca porque estão ilegais, a culpa desses empregos estarem nas mãos dos ditos cabo-verdianos é deles, ou do empreiteiro? Quando o cinema Londres fechou e se transformou numa loja de artigos baratos, a culpa é dos chineses que a abriram, ou dos que deixaram de lá ir ver o Tom Cruise, para irem antes aos centros comerciais e atestarem a seguir a mala do carro com tralha de que não precisam? Quando a Segurança Social se vê à rasca para pagar rendimentos de inserção social, a culpa é do número vestigial de brasileiros e peruanos que eventualmente auferem este rendimento, ou dos donos de empresas que fazem o possível - e impossível - para cortar nas contribuições mensais para a SS – incluindo mover as sedes para paraísos fiscais, dentro ou fora da U.E.? Quando as contas de Mário Centeno nos obrigam a apertar o cito com impostos mais pesados, a culpa será das lojas dos nepaleses e indianos, que trabalham sem descanso aos sábados, domingos e feriados, ou será dos bailouts aos bancos, que já somam tantos milhares de milhões, que lhes perdi a conta?

O problema de André Ventura é que culpa as minorias pelo que sugam ao sistema quando, como deputado que deveria ter exclusividade nas suas funções, também ele aufere rendimentos de várias outras fontes.

O problema de André Ventura é que arrasta consigo uma vara de néscios demasiado simples para entenderem que a esmagadora maioria dos problemas que atribuem a uma fracção minoritária da população, são efectivamente causados por um fosso de desigualdade social que se alarga cada vez mais.

Não se combate esse fosso apontando dedos a meia dúzia de desgraçados que, na maioria dos casos, só querem meter comida na boca dos filhos. Combate-se esse fosso arregaçando as mangas e tratando bem as pessoas.

Aviso: vem lá momento de auto-massagem no ego, mas perceberão – espero - o motivo da mesma. Nas minhas palestras motivacionais conto a história do tabuleiro de damas e xadrez magnético que, quando era miúdo, consegui comprar graças a um engenhoso esquema que envolvia um desconto considerável nas fotocópias que tirava para os meus colegas de escola, enquanto arrecadava um lucro modesto, numa solução que revolucionou o conceito de win-win. Diz uma frase comum em murais especializados nestas coisas, que “The diference between men and boys is the size of their toys”. E assim é porque, na idade adulta, o tal negócio de brinquedos marotos permitiu-me comprar alguns potentes brinquedos, que cobiçava em posters na parede do meu quarto de adolescente. Mas a minha ‘baleia branca’ Melvilliana, o sedutor e potentíssimo Lamborghini (o modelo é praticamente irrelevante), é-me inalcançável, por um motivo simples: porque, como empresário, a única forma dos lucros da empresa serem suficientes para ir buscar um (em segunda ou oitava mão) é se esses lucros forem suficientes para que os sete outros colaboradores da empresa também o possam fazer. Na minha empresa não nos queixamos das minorias que sacam rendimentos da Segurança Social todos os meses. Na minha empresa pagámos aos tais sete colaboradores os 30% que o regime de layoff da SS não cobre.

O André Ventura devia pensar mais antes de falar. Se o fizesse, já teria chegado à conclusão a que as pessoas lúcidas da Alemanha pré-nazi chegaram: os problemas económicos do país não foram causados pelos judeus, mas sim por uma recessão que teve início na Bolsa de Valores de Nova Iorque e se repercutiu pelo mundo inteiro. Porque isso dos bancos se meterem em negócios que não correm tão bem quanto esperavam não é uma habilidade só dos tempos de desregulação dos Bush, Dick Cheney e Trump. Isto é uma artimanha que já enche os bolsos do 1% e nos morde no proverbial rabinho – dos 99% - desde há muito tempo. A famosa Grande Depressão pavimentou o caminho para um pintorzeco de bigode ridículo inflamar hordas de mentes simples, que beberam cada palavra que lhe caía dos beiços esotéricos, culpando as minorias pelo infortúnio que os assaltava.

Nestes tempos em que um bicho malvado saiu de Wuhan e tomou o mundo de assalto, os Andrés Venturas desta vida têm um palco fácil, porque todos estamos sedentos de um alvo a quem apontar o dedo. Mas apontemo-lo ao espelho, porque este vírus não é produto de um facínora chinês que quer dominar o mundo – pelo menos assim o espero. Este vírus é produto de todas as vezes em que fomos de carro para um destino que ficava a vinte minutos de caminhada. Este vírus é produto daqueles sacos de plástico que envolvem as maçãs que colocámos no carrinho das compras e, quando chegamos a casa, enfiámos no caixote do lixo, ou até no saco da reciclagem amarelo. Este vírus é produto daqueles cinco cêntimos que poupámos em cada produto atestado de óleo de palma, porque comprar a versão ecológica e que não mata orangotangos é demasiado caro para o nosso orçamento familiar. Orçamento esse que encaixa sempre o smartphone de mil euros mais recente, pois claro. Este vírus é produto da nossa necessidade de comer tanta carne por semana, que criamos porcos, galinhas e vacas em espaços tão exíguos que, se nos enfiassem num durante quinze minutos, vomitávamos o almoço perante a expectativa de lá permanecermos um segundo mais que fosse.

A culpa do vírus, meu caro André Ventura, não é dos ciganos, nem dos angolanos, nem dos brasileiros, nem sequer dos ucranianos, russos, ou chineses. A culpa do vírus é de todos nós, que andamos a brincar com esta m#rda, como se a natureza fosse um saco de pancada que tem de aguentar os caprichos de uma espécie que decidiu tirar mais do que deve de um planeta minúsculo, que se atravessa de um lado ao outro em menos de um dia com tecnologia ao alcance de todos. A culpa do vírus é dos engravatados em quem votamos – incluindo o meu caro – que se têm preocupado mais com reeleições – e encher os bolsos – do que em resolver problemas efectivos.

Deixemos de apontar o dedo a quem não tem culpa e a assumir que todos contribuímos para isto.

Deixemos de dar ouvidos a quem se tenta aproveitar da situação para ganhar palco.

Já chega de Chega.

Vamos mas é ganhar juízo.

#staysafe

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

As pessoas que defendem as touradas são estúpidas - e consigo prová-lo

Cenário: numa sala mal iluminada, um interrogador (Int.) faz um teste a um aficionado (Af.), qual Blade Runner que tenta identificar replicants.

Objectivo: provar que uma alma que defende a continuidade das touradas é estúpida.

Teste #1

Int: Tem cão, ou gato?
Af: Sim.
Int: E gostaria de o ver a ser esfaqueado por um gajo que usa collants cor-de-rosa e sabrinas, para venda de bilhetes?
Af: Não, que horror!
Int: Mas gosta de touradas, certo?
Af: Sim, gosto...

Teste terminado.
Veredicto: o aficionado é estúpido

Teste #2

Int: Tem cão?
Af.: Não.
Int: Mas consegue imaginar, por exemplo, um urso a levar com ferros no lombo, espetados por um gajo que usa lantejoulas?
Af: Sim, consigo.
Int: E que acha dessa imagem?
Af: É obviamente horrível! Grotesca! 
Int: Acha que isso devia ser tornado espectáculo, para as pessoas verem a troco de um bilhete?
Af: Obviamente que não! Isso devia ser proibido!
Int: Na realidade já é, porque há legislação para impedir os maus tratos aos animais. 
Af: Ah, óptimo. Acho muito bem. Eu gosto muito de animais, sabe?
Int: Mas, se este cenário que descrevi for com um touro-bravo, já não tem problema, certo?
Af: Mmmmm... Pois... Nesse caso, não faz mal... 

Teste terminado.
Veredicto: o aficionado é estúpido e ainda balbucia "Mas sabe... É uma tradição com muitos anos... Faz parte da nossa identidade cultural... E perder-se-ão muitos empregos se as touradas acabarem... E desaparecem os touros-bravos..."

Desafio: apliquem este teste às pessoas que defendem as touradas. Podem ser criativos e substituir "cão", "gato", ou "urso" por outras espécies aninais, desde o rinoceronte ao dragão do Komodo. O meu palpite é que o resultado será sempre idêntico, o que valida a minha teoria, segundo a qual as pessoas que defendem as touradas são estúpidas

De nada.

PS - Para mais descontrução dos clássicos - e patéticos - argumentos pró-tourada clique aqui e aqui.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Tolerância, at last?...

Há poucos dias o Papa Francisco chocou ao Mundo com uma mensagem que professa tolerância para com a homossexualidade. Ocorreram-me de imediato as palavras “it’s about fucking time”. Não deixa de ser positivamente espantosa a audácia com que a Igreja Católica tem tentado impor a sua visão a um planeta que, na sua maioria, vive completamente abstraído desta realidade. Tal dose de soberba só tem eco na igualmente presunçosa mania que o Mundo Ocidental (Europa e América do Norte) tem em impor a sua visão política a todos os restantes países.

A dada altura alguém devia oferecer um íman de frigorífico com as palavras “Live and let live” aos carolas que tomam estas decisões, particularmente à rapaziada homofóbica que não tolera o casamento gay nem a adopção por parte de casais homossexuais. Alguém lhes devia explicar que, dos 7 biliões de habitantes do planeta, nem todos adoptaram o modelo em que um homem e mulher se juntam, professam amar-se para o resto da vida e têm sexo duas-três vezes - na vida inteira - exclusivamente para gerar bebés. Alguém devia explicar a esses carolas que há sociedades – perfeitamente funcionais - em que um homem tem várias mulheres, outras em que uma mulher tem vários homens e outras, ainda, onde vários homens e várias mulheres vivem em completa liberdade sexual e tomam conta da prole uns dos outros.

O aspecto mais divertido de todos é a noção de que o nosso modelo é o melhor, seguramente porque está associado aos melhores resultados… Como se não fôssemos uma civilização em que UM TERÇO da população vive encharcada em Prozac, Zoloft e outros anti-depressivos… E andamos nós a tentar convencer o resto do mundo de que o nosso modelo é o mais funcional…


Yeah, right!...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Venga La Ursada!

Queridos amigos que, tal como eu, gostariam de ver o espectáculo conhecido como “tourada” abolido do menu das ofertas de entretenimento na nossa Pátria, tenho estado a pensar com alguma ponderação sobre este tema e cheguei a uma conclusão deveras preocupante: estamos todos errados.

As touradas não devem ser proibidas; muitíssimo pelo contrário, devem ser incentivadas e, mais importante ainda, o seu conceito deve ser expandido, ou mesmo franchisado, a outras espécies animais. Trata-se de uma oportunidade de negócio colossal e sinto-me profundamente embaraçado por só agora a ter detectado. Mas vale mais tarde do que nunca e passo a explicitar melhor o meu raciocínio que, perdoem-me a imodéstia, considero brilhante porque nos vai colocar num patamar de riqueza com o qual nunca ousámos sonhar.

Ora vejamos, qualquer ser com um entendimento rudimentar sobre o mundo dos negócios sabe que a chave de sucesso de uma actividade comercial é reduzir custos e aumentar os lucros. Nesta linha a tourada afigura-se-me como um verdadeiro modelo de perfeição empresarial, já que os custos são suportados por financiamentos camarários, ou seja, pelos impostos de todos os cidadãos e não pelos indivíduos que auferem os lucros. Quem cozinhou este business plan merece, sem dúvida, um Nobel da Economia. Adicionalmente, veja-se que é um mercado com pouquíssima concorrência, contando-se os players - verdadeiramente dignos desse nome - com os dedos de duas mãos (de um praticante não-muito-habilidoso de tiro com arco).

Em suma: os custos são suportados por todos os cidadãos contribuintes do país (incluindo-se aqueles que, com a sua triste falta de visão empresarial, são ainda teimosamente contra as touradas) e os lucros vão para os bolsos da meia-dúzia de ganadeiros, toureiros e emboladores que desenvolvem esta actividade comercial com uma astúcia que me tinha escapado por completo até à data. Louvados sejam os gloriosos forcados que contribuem de forma tão dinâmica, quanto dramática, para a festa brava sem auferirem um único tostão e, portanto, não contribuindo de todo para a diminuição dos lucros gerados pela proveitosa venda de bilhetes. Tiro, sinceramente, o chapéu a todos os empresários tauromáquicos pela sua visão de marketing tremendamente eficiente e original. Temos muito a aprender com estes rapazes se queremos tirar a nossa Pátria Lusitana da crise.

Pois parece-me, então, que um conceito tão incrivelmente brilhante não deve estar castrado a uma única espécie, sendo que Deus Nosso Senhor, na Sua infinita bondade e sabedoria, criou largos milhares de espécies animais através de um design tão inteligente quanto audaz, e colocou-as todas à nossa disposição, Sua espécie preferida, para que possamos auferir rendimentos simpáticos através da sua exploração para entretenimento e gáudio de crianças, jovens e adultos. Porque todos concordamos que nada é mais divertido do que ver um tigre a andar de bicicleta com um capacete nazi na cabeça, ou um ursinho de tou-tou na cintura a dançar vertiginosamente ao som de uma melodia Kusturikiana ou, claro, o expoente máximo do entretenimento animalesco, um possante touro bravo a levar com uns valentes ferros no dorso - cravados pelas mãos hábeis de um cavalheiro de roupa justinha, meias cor-de-rosa e sabrinas, sendo este o ensemble garantidamente mais sexy de todo o mundo do espectáculo. Atrevo-me a sugerir que este guarda-roupa só é ultrapassado, em espectacularidade, pelos orçamentos bilionários da cadeia Cirque du Soleil que, coitados, são uns patetas sem visão empresarial  e desenvolvem os seus espectáculos, pelo mundo inteiro, sem recorrerem a um único animal, o que seguramente tem um impacto tremendamente negativo na sua facturação.

À luz destas considerações, e que tal se o conceito tourada for expandido a essa outra família de grandes mamíferos… Os ursos?? Deixem-me explanar o brilhantismo do meu raciocínio antes de assumirem que perdi o juízo. Vejamos, as ursadas são uma excelente forma de proteger os ursos da extinção a que as perdas de habitat natural os votaram inexoravelmente. Este sentimento é quase tão saudável quanto o altruísmo quasi-divino com que os empresários tauromáquicos mantêm o espectáculo da tourada, fazendo-o meramente para preservar a raça do touro bravo, num gesto de bondade e preocupação pela preservação da biodiversidade que rivaliza com as ONGAs mais fervorosas. Interrogo-me, até, se este será o momento adequado para recordar que o público consome carne bovina há séculos imemoriais e, sendo a carne de touro bravo particularmente apreciada pelo estatuto free range destes nobres animais, rápida e merecidamente escalou para um patamar de distinção gourmet que efectivamente impede uma espécie de se extinguir, porque o mercado que a consome é simplesmente valioso demais. Mas, à cautela, será melhor que me afaste deste tópico e que deixemos os empresários tauromáquicos continuarem a acreditar que, sem eles, o touro bravo está votado à extinção. Não queremos que pensamentos de natureza subversiva, como a exploração alternativa do touro bravo para consumo humano, os impeçam de darem continuidade à sua nobre missão de salvamento do touro.

Voltemos aos ursos. O casting destas simpáticas criaturas peludas nas em-breve-famosas ursadas não se destina unicamente a salvá-los das terríveis garras nefastas das alterações climáticas e outras perdas de habitat de natureza antropogénica…. Vejam-se bem as oportunidades de negócio colaterais que surgem, como o embolamento não só de duas míseras pontas mas sim de uma bela dezena de garras e não menos caninos numa bocarra mortífera. Sim, porque seria tonto imaginar os urseiros a enfrentarem um urso pardo de uma tonelada sem que este tivesse os dentinhos e unhacas devidamente embolados com umas resistentes carapuças de cabedal. Mesmo assim, ao mencionar a cavidade bucal ursina ocorre-me um probleminha… É que o urso não é obrigatoriamente quadrúpede, como o touro bravo, e tem o condão de se bipedizar quando as circunstâncias assim o ditam. Isto torna-o infinitamente mais perigoso, pelo que recomendo vivamente que o toureio, ou melhor, urseio seja conduzido não em cavalos mas sim em… elefantes. Essa luta parece-me francamente mais equilibrada e gera uma nova oportunidade de negócio até aqui negligenciada: a criação de elefantes na fecunda e aprazível lezíria ribatejana e na belíssima dehesa andaluz.

Aí, sim, estaremos perante uma luta tão nobre e equilibrada quanto a actual tourada, embora confesse a minha ignorância quanto a este conceito de equilíbrio, que sempre associei a bipolarizações do género 50/50 ou, vá, 60/40. Parece-me, contudo, que o rácio de esburacanço na tourada é mais de 999 para 1 contra o touro mas, repito, seguramente que estou a incorrer numa grande injustiça e que o número de ferimentos contundentes nos profissionais tauromáquicos é bem mais abundante do que aquele de que nos conseguimos aperceber.

Consideremos ainda outra vantagem adicional, particularmente quando a ursada envolve as magníficas espécies Ursus maritimus ou Ailuropoda melanoleuca, também conhecidas como Urso polar ou Urso panda, respectivamente. Imagine-se o factor drama quando estes ursinhos rugem e saltitam alegremente pela arena com o pêlo branco manchado de sangue tão vermelho quanto viscoso e com aquele aroma ferroso que excita e apura os sentidos. Qualquer realizador de aspirações hollywoodescas confirmará que esse impacto visual não tem preço e distancia-se com brilhantismo do pálido contraste entre o vermelho sanguíneo e o entediante pêlo preto do touro. Estendamos novamente agradecimentos e aplausos aos bravos forcados, que encostam as faces pálidas ao dorso ensanguentado do touro quando o pegam de caras e nos permitem, público sedento de cor e bravura, validar que o animal está realmente coberto de sangue. Se não fosse esse gesto bondoso de, chamemos-lhe, validação cromática, o público (que pagou um bilhete, não esqueçamos) sairia da arena sem ter tido a oportunidade de ver o vermelho que jorra das perfurações infligidas pelos ferros cravados no dorso do touro, o que é completamente inaceitável. Na ursada polar ou ursada pandística esse perfuramento é por demais evidente e os forcados podem concentrar-se exclusivamente na árdua tarefa de travar o movimento da besta, cuja ferocidade permanece obviamente intocada após o cravanço de uma dúzia de ferros no lombo.

Resta-me terminar com um apelo de natureza marketinguística, já que o timing para a ideia que vou partilhar convosco é simplesmente perfeito e vão já perceber porquê: e que tal se atirarmos com ursinhos e tourinhos para a arena e os deixarmos degladiarem-se freneticamente até que apenas um esteja de pé e enviamos, então, um toureiro, ou urseiro, dependendo de quem vencer a luta, para arrumar o espectáculo? Esta luta traria nova dimensão à eterna batalha entre os mercados Bullish e Bearish (em alta e em baixa, respectivamente) que se desenvolve continuamente nas bolsas de valores de todo o mundo. A emblemática estátua da luta do touro contra o urso, em Wall Street, vende milhares de figurinhas e ímans de frigorífico todos os santos dias. Porque diabo não podemos nós, nação que trouxe novos mundos ao mundo, facturar uns trocos vendendo action figures dos nossos touros a enfiarem uns cornitos nas pançolas dos ursinhos? A oportunidade está aí; só falta aproveitá-la.

Por todos estes motivos me parece que a ursada é merecedora de mais atenção por parte do sector que explora os lindos animais que Deus nos deu para que facturemos umas massas extra. Desde que se mantenha o plano-de-negócio em prática nas touradas até à data, tudo correrá bem e há imensos lucros à espera de serem gerados. Eu cá não pretendo deixar esta oportunidade escapar e vou já directo à primeira Calzedonia que me aparecer para comprar umas leggings rosa-choque porque quero estar no meu melhor quando espetar o primeiro ferro no dorso de um feroz urso sob aplausos intensos e cornetadas inspiradoras! Mal consigo esperar! Quem me dera ter tido esta ideia mais cedo!

Y Venga el Orso!

Olé!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Seriously?…

Seriously?…

Esta expressão tipicamente Americana entrou na moda há relativamente pouco tempo e não me recordo de outra circunstância em que o seu uso tenha sido tão adequado como na sequência da recente nomeação de Maria Luís Albuquerque para Ministra das Finanças…

Seriously?…

Permitam-me já o disclaimer de que não tenho competência técnica, nem moral, nem de espécie alguma para julgar a capacidade da senhora de desempenhar esta função. E também não faço a mais pequena ideia de quão legítimas são as acusações de “gestão danosa” da Refer na sequência da aquisição dos famosos (ou melhor, “infames”) “swaps”, sobejamente conhecidos pela sua toxicidade financeira.

Mas “toxicidade” é, seguramente, o termo a aplicar aos fuminhos que exalavam da sala onde o nosso estimado PM, e respectivos conselheiros, tomaram a decisão de nomear MLA para Ministra. Ainda por cima, não do Ministério dos Parques Infantis mas sim das Finanças.

Não deixa de ser divertido imaginar o diálogo, às tantas da manhã…
-          Eh pá, então quem é que metemos nas Finanças, agora que o Gaspar deu de frosques e temos os troikos aí à porta para a oitava avaliação?…
-          Chiça, não sei… Se calhar o José Gomes Ferreira, ou o Medina Carreira, ou um desses carolas que percebem de Economia e sabem fazer contas… Afinal de contas, o Carreira previu esta macacada toda há dez anos… Ele tem um entendimento acima da média destas tretas…
-          Hmmm… Não sei… Não sei… Parecem-me demasiado opinativos… Então e aquela miúda?… Como é que ela se chama?… A não sei quê Albuquerque…
-          Quem? A dos swaps??…
-          Pois, essa mesmo! Essa é que era, pá! A mulher é rija que se farta! Ela mete-nos as contas na ordem!
-          Oh chefe, acha isso acertado?… Então não acha que o povaço vai andar nos táxis, nos cafés e no Facebunker a dizer “Então o tipo mete uma pessoa que está a ser investigada por “gestão danosa” à frente do Ministério das Finanças??”
-          Pois… É provável… Mas eles já estão habituados, coitaditos… Mandam uns pulos, e põem uns Likes, nos primeiros 2~3 dias mas, depois, sai alguém da Casa dos Segredos e eles deixam de pensar nisto…
-          Ó chefe, tem mesmo razão… O chefe sabe mesmo como funcionam as massas!… Vê-se tão bem que leu muito Malcolm Gladwell.
-          Ah! Ah! Ah! Lá está você a dar graxa outra vez… Arranje-me lá o número de telefone da menina Albuquerque para eu lhe ligar a dar a boa notícia e vamos dormir, que já se faz tarde…
-          É p’ra já!


Enfim… Repito o que disse no início: falta-me a qualificação técnica para avaliar o calibre desta decisão e faço parte do vasto grupo de pindéricos que usam a internet para disseminarem a sua opinião sobre matérias acerca das quais conhecem o que os jornais e o Facebunker lhes dão a conhecer. Mas, nas palavras sábias de T. S. Elliot, Politics has become too serious a matter to be left to politicians.





domingo, 11 de novembro de 2012

E se...

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terça-feira, 1 de maio de 2012

Battleship

Pronto, é oficial... O que começou por ser um blog de "comentário social" transformou-se numa crítica de cinema amadora com uma rotação fulgurante de um post por ano. Safa! Quem é que aguenta um ritmo destes??

Pois cá vai a pérola do dia, mais de um ano depois da última: Battleship.

Battleship é um daqueles filmes de acção / ficção científica que desperta imediatamente dois tipos de reacção:

1) O pessoal que sai de lá a rir e a gozar com as inconsistências científicas, as actuações não dignas de óscares, o script relativamente simples, a previsibilidade do final e outras críticas que aparecem rotineiramente ligadas a este género filmesco.

ou

2) O pessoal que agradece a Deus Nosso Senhor pelas duas horas de intensidade com que o banhou... Estou a falar de tal intensidade que o balde de pipocas não chegou ao fim da primeira hora e, apesar de este pessoal reconhecer integralmente os pontos elencados em "1" (convenhamos que só um orangotango em fase terminal de Alzheimer's não os reconheceria...), sentem o regozijo insuperável de terem tido todos os pêlos do corpo em pé durante duas horas do mais absoluto e completo prazer cinéfilo.

Nota-se muito que me enquadro de caras no grupo "2"?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Silence of the lambs


Antes de mais, um bom ano para todos!! O facto de estar a desejar um “bom ano” em Fevereiro já indicia fortemente que tem acontecido muita coisa, certo? E tem, sim senhor! Mas são coisas privadas – embora todas elas maravilhosas - e ninguém tem nada a ver com isso! :-)


Mas, antes de ir ao tópico do dia, não resisto a partilhar convosco o enorme lote de fotografias que recolhemos depois de terminada a mega operação Flying Sharks Turkish Charter Delight. Podem vê-las todas clicando aqui ou indo directamente à página da Flying Sharks www.flyingsharks.eu.


Vamos, agora, ao tópico do dia. Para (não) variar recomendo vivamente o filme Fair Game. Trata-se de um filme perturbador a variadíssimos níveis:

  • A tradução do título exibe, também para (não) variar, a falta de jeito dos rapazes que traduzem títulos em fazê-lo de forma adequada… É que “este” Fair Game não tem rigorosamente nada a ver com “jogo limpo” mas, muito pelo contrário, refere-se a uma expressão (não muito fácil de traduzir, admitamos) que significa “disponível para abate”. Ou seja, a expressão Fair Game utiliza-se quando algo está na mira de todos e, basicamente, leva pancada de todos os lados…
  • Outra vertente perturbadora deste filme é que traz à superfície (novamente) todo a teia diabólica de mentiras que estiveram na base da invasão do Iraque pelas tropas americanas. Já todos sabíamos que não há, nem nunca houveram, WMDs (weapons of mass destruction, i.e. armas de destruição massiva) no Iraque. Foi pena o filme não ter explorado a componente comercial deste episódio, sendo que um dos signatários da ordem de invasão foi o, então, vice-Presidente Dick Cheney que, “curiosamente”, fazia parte do Board of Directors da Halliburton, empresa que viria a fornecer biliões de dólares de equipamento de suporte para a invasão. Aparentemente a expressão “conflito de interesses” perdeu o seu significado neste episódio curioso…
  • Mas o aspecto verdadeiramente perturbador deste filme é a impunidade atroz com que tudo isto se passou e com que tudo se passa à nossa volta… Reduzem-se os vencimentos dos funcionários públicos para colmatar o maior déficit de que há memória; mas aumentam-se os ordenados / prémios dos administradores de empresas públicas; aperta-se o cinto na base da cadeia alimentar, mas servem-se almoços de sushi em reuniões de autarquias (ah, pois é…)…. Enfim, a lista continua.

Numa época em que a informação está disponível como nunca esteve na História da Humanidade – e veja-se o espantoso caso Wikileaks - é caso para recordar a memorável citação do Dr. Martin Luther King Jr.:


"We will have to repent in this generation not merely for the hateful words and actions of the bad people but for the appalling silence of the good people.


O problema, hoje em dia, não está no silêncio porque, em boa verdade, erguem-se vozes de denúncia destes escândalos continuamente. O problema está na apatia generalizada com que estas vozes são recebidas.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Turkish Charter Delight


Ui, mas que grande correria que foi este Verão! Nem sequer houve tempo para fazer um único post!

Mas tudo estará terminado na noite de 14 de Dezembro, depois de entregarmos dois aviões carregadinhos de peixes (e invertebrados) - capturados em Olhão, Peniche, Horta e Funchal - no novíssimo Istanbul Akvaryum.

Ora espreitem retratinhos catitas em www.flyingsharks.eu!

:-)

terça-feira, 27 de julho de 2010

O grande dilema do Aquecimento Global


Há um ano ainda era consultor do Oceanário e coloquei uma notícia, no website, sobre Aquecimento Global e a enorme discussão que rodeia este tema. Podem ler a notícia clicando aqui.


Surge, agora, mais um documentário - desta vez do prestigiado "Channel 4" britânico - que vem lançar novas dúvidas sobre o tema. Podem ver a primeira parte clicando aqui.


Mas é preciso, antes de mais, definir o problema. Note-se que ninguém duvida do facto de que as temperaturas estão, actualmente, mais altas do que há alguns anos. A grande questão é se essa subida foi causada pelo Homem, ou não. Mais especificamente, terá essa subida sido causada pelo excesso de CO2 na atmosfera, ou não.


O Al Gore e respectivos seguidores dizem que sim.


Os "cépticos" dizem que não.


E que devemos nós, seres humanos "normais", dizer?


Honestamente, não faço ideia.


Mas volto a repetir o que escrevi no website do Oceanário há um ano: com tanta abundância de informação "pro" e "contra" Aquecimento Global, prefiro adoptar uma postura cautelosa e adoptar um estilo de vida que minimize as emissões de CO2. Porque imagine-se só o que acontecerá ao nosso Planeta se, de repente, todos assumirmos que o excesso de CO2 não causa problema nenhum e deixarmos de controlar as emissões. Imagine-se que, daqui a uns anos, se prova que o Al Gore tinha razão... Imagine-se que, quando surgir essa prova, seja tarde demais para resolver o problema...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ship of Fools


Há poucos dias conversava com um amigo acerca do derrame de petróleo no Golfo do México e o meu amigo dizia “Sabes que mais, João?... Tens razão quanto àquilo de não haver nenhuma Conspiração mas, pelo contrário, haver é uma grande dose de badalhoquice...”

Passo a explicar... Depois do 11 de Setembro surgiram rapidamente teorias que indicavam o Governo Bush como sendo responsável pelo atentado. Eu cá defendia exactamente o contrário. E vi a minha "teoria" corroborada pela discrepância monumental que há entre os livros + filmes (do Michael Moore e outros) e a realidade. É um facto que o governo Bush recebeu informações que sugeriam que algo de "grande" ia acontecer. Há memorandos e notas internas que já vieram a público. E que fizeram com essas informações? Nada.

Há quem diga que não fizeram nada porque isso servia interesses económicos de grandes lobbies petrolíferos. Eu cá acho que não. Acho que não fizeram nada por badalhoquismo. Puro e simples.

A ÚNICA atitude que revelou um rasgo mínimo de inteligência, nessa saga toda, foi terem APROVEITADO os ataques para legitimizar a invasão do Afeganistão e poderem, finalmente, construir um pipeline através do país, obra essa sistematicamente recusada pelos chatos dos Talibãs.

O clima de "Luta contra o Terror" que se instituiu a seguir também não foi nada mal esgalhado porque serviu para autorizar a invasão do Iraque, golpe de mestre que permitiu criar um corredor de passagem de petróleo desde o Afeganistão até ao Golfo Pérsico.

No fundo os rapazes usaram os ataques às Torres Gémeas para, numa jogada brilhante e digna de uma rodada vencedora no "Risco", sacarem os países que lhes faltavam para cumprirem o seu objectivo de domínio absoluto do Médio Oriente. A única pedra que ainda resta no sapato é o malvado Irão... Mas esse é um ninho de vespas tão delicado que nem os americanos se atrevem a cutucá-lo... Valha-nos esse pequeno rasgo de sensatez ou já estávamos num cenário tipo "The Road"...

Mas as atitudes "espertinhas" ficaram por aí.

Tudo o resto é badalhoquice da mais simples e imberbe que se pode imaginar.

A famosa "Crise" não foi fruto de uma cabala monstruosa mas sim de péssimas decisões económicas. Leiam um capítulo sobre este tema no livro "Predictably Irrational" do Dan Ariely e ficarão a entender a "Crise" como nunca.

Mas o exemplo mais recente deste badalhoquismo institucionalizado chegou há algumas semanas na forma de uma "simples" fuga num tubo a 5.000 pés de profundidade.

E parece que ninguém o consegue tapar.

Então e aquela tecnologia toda para pôr sondas em Marte? Ah, é verdade... Falhou das primeiras vezes porque havia cálculos em sistema métrico e outros em sistema imperial...

Então e a tecnologia usada no telescópio Hubble? Também não era grande coisa porque foram precisas não sei quantas missões (de biliões de dólares cada) para alinhar um conjunto de espelhos que foram para o espaço desalinhados...

Então e a tecnologia usada para colocar o Space Shuttle no ar? Hmmm... Se dividirmos o número de voos com acidentes pelo número total de voos apercebemo-nos, tristemente, da terrível taxa de insucesso desta máquina... Chiça, que é preciso "tê-los no sítio" para ser astronauta, porque não há outra máquina que pife tanto como o Space Shuttle.

Então e aquele poderio militar impressionante da máquina de guerra americana? Também não é lá grande coisa porque andam atrás de um velhote, perdido nas montanhas afegãs e agarrado a uma máquina de hemodiálise, há QUASE NOVE ANOS e ninguém o encontra.

Há quem diga que não o encontram de propósito. Please... Já imaginaram OS PONTOS que serão marcados por quem capturar o Bin Laden? Quem não quereria marcar uma pontuação dessas??

Mas o que eu aprecio MESMO é o papel de Hollywood nisto tudo... Particularmente de filmes fantásticos como Armagedon, Missão Impossível, A-Team, James Bond e afins. Tanta máquina louca, tanto satélite espião, tanta vigilância e software Echelon que (supostamente) monitoriza as conversas e emails de toda a gente no mundo... Mas... Quando se precisa MESMO que essas tretas tecnológicas resolvam um problema REAL, népia...

Então o Presidente da Nação mais Poderosa que a nossa Espécie jamais conheceu vem à televisão dizer que não têm a tecnologia necessária para tapar um tubo a 5.000 pés e que isso tem de ser feito pela BP??

Lindo.

É que 5.000 pés são cerca de 1.600 metros. Não estamos a falar da Fossa das Marianas, que tem 11.000+ metros de profundidade. Estamos a falar de uma profundidade a que ROVs e submarinos operados por seres humanos JÁ FORAM! E vão todos os dias!

Dezenas, centenas, MILHARES de MENTES BRILHANTES do Mundo inteiro andam a mandar palpites e sugestões à BP. Mas ninguém dá conta do malvado tubo roto.

Teoria de Conspiração?

Tenham juízo... Estamos nas mãos de badalhocos que nem a tabuada devem saber...

Tenham mas é cuidado e TRATEM DAS VOSSAS vidas porque não são os Governos, seguramente, que vão tratar.

Aguentem-se, que temos loucos ao leme!!

Os Doors é que tinham razão, quando escreveram a canção "Ship of Fools"...

:-)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ortografia


Possivelmente este será o post de "pior gosto" que jamais escrevi, particularmente porque não tenho o hábito de atrair atenções à custa do infortúnio dos outros.

Mas, neste caso, tenho mesmo de abrir uma excepção porque este folheto simplesmente TEM de ser partilhado. Não pelo serviço que será prestado no estabelecimento em questão (que, confesso, desconheço) mas, acima de tudo, pelo ALERTA lançado quanto ao DRAMA ORTOGRÁFICO que se vive em Portugal actualmente.

Os Portugueses escrevem MAL. Mesmo MUITO mal. E o caraças dos sucessivos acordos ortográficos não ajudam. Expliquem-me, por favor, qual é o objectivo de "aproximar" o Português "puro" do Brasileiro, como se tem vindo a fazer?

Porquê eliminar o "p" de "óptimo"?

Porquê eliminar o "c" de "acção"?

Porquê?

Que vantagem se extrai destas medidas?

A sério que adoraria ler uma resposta convicente e articulada acerca deste tópico.

Mas, para já, fiquemo-nos pela apreciação do "Brusching", "Estração", "Junto há Praça..." e, claro, os inevitáveis "em frente á Av. Paris" e "09.00 H ás 13.00 H".

Curiosamente, o autor do folheto escreveu correctamente "09.00 H às 19.00 H", facto raro nos dias que correm. Mas revelou o desconhecimento na matéria ao substituir alguns "à" por "á" e, numa ocasião, por um fabuloso "há", substituição esta que, admito, nunca tinha visto.

Pessoal, já disse muitas vezes e volto a repetir... LEIAM livros e cultivem-se porque não é ASSIM que saímos da crise...

:-(

Deprimidamente vosso,

João

sábado, 30 de janeiro de 2010

Huxley vs. Orwell


Os apreciadores das obras "Brave New World" e "1984", de Aldous Huxley e George Orwell, respectivamente, vão gostar de conhecer um post que uns rapazes fizeram comparando o mundo actual com as realidades que ambos os autores preconizaram. A resposta é curiosa, mas não deixa de ser assustadora.


Clique aqui para ver o post.


E porque um post meu sem um comentário cinéfilo é como "um jardim sem sol" :-), aqui vai a minha recomendação da hora. Não percam o "Avatar 3D" e "A Estrada"!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O fim do Mundo, dos Corais e da Pesca na Gronelândia

O Mundo está de pernas para o ar... O calendário Maia diz que vamos todos para o caraças no dia 21 de Dezembro de 2012. Bom, logo se verá. Para já, contentar-me-ei com duas horas bem passadas em frente à mega produção do Roland Emmerich que, espero, não me irá decepcionar.


Mas o que o calendário Maia não previu foi o fim dos corais, porque os Maias nunca imaginaram que os seres humanos dos nossos dias tivessem uma capacidade destrutiva tão elevada como, de facto, têm.


Cliquem em www.zsl.org/coralcrisis para verem a extraordinária apresentação do Prof. Charlie Veron sobre os perigos de concentrações de CO2 demasiadamente elevadas. Essencialmente, os corais - e outras formas e vida na Terra - deixarão de ter condições para exisitirem se não forem tomadas medidas urgentes.


No mesmo website também poderão assinar uma petição que tem como objectivo persuadir os líderes mundiais, que irão participar na Conferência Ambiental de Copenhaga, a manterem a concentração de CO2 atmosférico abaixo de 350 ppm.


Cliquem www.erantis.com e www.globeinternational.org para mais informações sobre o evento.


E cliquem aqui para descarregar o artigo do Prof. Veron e respectiva equipa.


Mas os cenários catastróficos, hoje, não se ficam por aqui...


Ora cliquem em www.physorg.com para lerem uma verdadeira pérola... Os pescadores Innuit, da Gronelândia, queixam-se da abundância excessiva de Tubarões da Gronelândia (Somniosus microcephalus) e propõem-se a matá-los todos e, já agora, a convertê-los em biodiesel...


Ora aí está uma excelente ideia...


Está-me mesmo a ver que a eliminação do predador de topo de uma cadeia alimentar não terá qualquer efeito sobre a mesma... O mais curioso na história é que a eliminação é conduzida pela espécie que depende financeiramente da cadeia que se propõe perturbar... Alguém me explique, por favor, o que me está a escapar neste raciocínio porque, sinceramente, tenho dificuldade em engolir que alguém seja imbecil a este ponto...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

District 9 e o despedimento da Manuela Moura Guedes

O que é que o filme "District 9" e o despedimento da Manuela Moura Guedes têm em comum?

Nada.

Mas o facto de vir aqui deixar um comentário rápido sobre o primeiro recordou-me um outro comentário rápido que me tinha esquecido de fazer acerca do segundo.

Acerca do "District 9": há muito tempo que não via um filme que me satisfizesse tanto! História, actores, realização, localização, etc., etc. Foi tudo bom. Acerca deste filme soberbo só me resta acrescentar que é o filme mais humano que já alguma vez vi, no sentido realmente literal e frequentemente perturbador da palavra.

E quanto ao despedimento da Manuela Moura Guedes posso dizer que não entendo, nem me interessam, os meandros dos processos que levam a este tipo de decisão. Mas posso avançar o seguinte: talvez, agora, a Manuela Moura Guedes entenda que, num programa de notícias, a vedeta deve ser a notícia e não a entrevistadora.

sábado, 8 de agosto de 2009

O sigilo bancário

Como já se vem tornando hábito, comecemos este post com o tradicional comentário cinéfilo. Segue-se a lista dos filmes mais recentes que caem na categoria absolutamente imperdível:

  • Two lovers
  • Brüno
  • Star Trek (2009)
  • Knowing
  • This is England

Posto isto, que dizer, então, relativamente ao sigilo bancário, de que tanto se falava há algumas semanas?


Caros amigos, o sigilo bancário é um não assunto. Pelo simples facto de que não existe, nunca existiu e nunca vai existir.


Aqueles que me conhecem sabem que não sou dado a teorias de conspiração nem dramatismos exagerados, pelo que volto a repetir: a discussão sobre o sigilo bancário é um monumental exercício de cosmética, já que a Banca (para usar o termo oficial) faz o que quer com os nossos dados e informações. Ao cidadão comum resta prestar atenção ao que se passa e agir quando detectar algo invulgar.


Permitam-me que elucide estes pontos com três casos reais que sucederam comigo recentemente.


Caso 1) Adesão ao Cartão de Crédito Citibank


Há alguns anos fui abordado pelos rapazes do Citibank, que me ofereciam a possibilidade de ter um dos seus cartões de crédito. Sendo a anuidade nula pensei Porque não? Afinal, viajo bastante e nunca se sabe se o cartão que uso regularmente vai ficar preso numa máquina ou desmagnetizado.


Preenchi a proposta e tive o cuidado de deixar em branco todo o bloco respeitante a pagamentos por débito directo na conta. Repito: deixei em branco os campos relativos à autorização do débito directo na conta. Não forneci o meu NIB, não coloquei uma cruz a dizer Sim, autorizo-vos a mexerem na minha conta sempre que vos apetecer, nem sequer assinei essa parte.


Ponto.


Algumas semanas depois recebi o meu cartão Citibank e respectivo código. Óptimo.


Alguns dias depois recebi uma nova carta do Citibank que começava com a frase Estimado Sr. João Correia, temos o grato prazer de informar que o débito directo da sua conta com o NIB nº XXXXX foi activado. ??? pensei, enquanto pegava no telefone e ligava para o número de apoio que vinha no rodapé. What the fuck?? perguntei-lhes, de forma um pouco mais educada e convertendo devidamente a expressão para a nossa língua mãe… A voz do outro lado não ofereceu, obviamente, qualquer explicação para o facto de que acabara de receber uma notificação de autorização para algo que eu não autorizei. Mas a voz despendeu bastante tempo a tentar demonstrar-me que o pagamento por débito directo na conta é, de longe, a forma mais cómoda de proceder a pagamentos. Respondi Meu caro, eu não vou discutir com uma voz, que não conheço, como faço a gestão dos meus rendimentos, ok? Cancele o débito directo da minha conta ou cancele o meu cartão.


Depois de mais algumas tentativas a voz percebeu que eu ia mesmo cancelar o cartão e lá me explicou que não lhe era possível cancelar o débito directo na conta. Contudo, explicou-me como qualquer um de nós pode fazê-lo:

  • Basta ir a uma caixa Multibanco
  • Inserir o cartão
  • Escolher Outras operações
  • Escolher Débitos directos
  • Escolher a empresa cujo débito directo pretende cancelar
  • Escolher cancelar

Et voilà. É muito fácil.


E foi exactamente isto que fiz, segundos depois de desligar, através do meu online banking. O passo final da história passou-se no balcão bancário que uso regularmente. Coloquei a carta do Citibank em cima da mesa e perguntei O que é isto? Responderam-me É uma autorização de débito automático da sua conta neste banco. Ao que eu respondi Então explique-me, por favor, a razão de ser desta carta tendo em conta que eu nunca dei autorização a esta empresa para me debitarem a conta. É claro que não me conseguiram explicar e só ouvi uns meros Pois… Sabe que isto, hoje em dia, é tudo automático... Já nem passa por nós..., etc.


Caso 2) Adesão ao Cartão de Crédito Barclaycard


A segunda história até seria divertida, se não fosse uma corroboração gritante do estado Big Brotheresco em que vivemos hoje em dia…


A segunda história pode ser resumida como segue: voltem a ler a história anterior mas coloquem-na dois anos mais tarde no tempo e substituam Citibank por Barclaycard.


É só.


Reparem bem:


  • Não assinei a autorização de débito em nenhum dos dois casos
  • Ambas as empresas conseguiram que o meu banco as autorizasse a tirarem-me dinheiro da conta
  • Em ambos os casos tive a sorte de não mandar para o lixo as cartas que comunicavam as autorizações dos débitos automáticos
  • Em ambos os casos cancelei os ditos
  • Em ambos os casos os funcionários do meu balcão ficaram a olhar para mim, quando os confrontei com a situação, com aquela cara de Desculpe lá… Isto, hoje em dia, é mesmo assim...

Caso 3) O erro de sistema do Barclaycard


Este terceiro caso nem sequer lida directamente com sigilo bancário, embora ateste muitíssimo bem o mind set destas empresas. Hoje em dia ainda tenho o cartão Citibank, embora o use muito raramente. Cancelei o Barclaycard, contudo, há alguns meses. E passo a explicar porquê: todos os meses aparecia um débito de 30 cêntimos. Reparem que não usava o cartão, pelo que este débito era muito óbvio, por ser a única linha no campo da discriminação dos movimentos. Nem sequer tinha data valor ou uma descrição. Apenas indicava um débito de 30 cêntimos. Liguei, com algum embaraço, para o Barclaycard e perguntei Que débito de 30 cêntimos é este que me aparece todos os meses? É um erro de sistema, pode ignorar. foi a resposta que me deram. E, de facto, ignorei. Nunca paguei os 30 cêntimos e habituei-me a vê-los no extracto.


Eventualmente acordei para o facto de que o único motivo porque o débito de 30 cêntimos era tão óbvio para mim era o simples facto de ser o único no extracto. Se tivesse um extracto normal, ou seja, com algumas dezenas de linhas de movimentos, é natural que o débito dos 30 cêntimos passasse completamente despercebido e fosse pago. Imaginem, agora, os milhares de pessoas que recebem extractos em casa e os pagam. Imaginem os milhares de 30 cêntimos que os utilizadores do cartão pagam ao Barclaycard mensalmente.


E tudo graças a um Erro de sistema que, teimosamente, não foi eliminado durante os 12~14 meses em que tive o cartão desta empresa, que já devolvi e cancelei.


Erro de sistema.


Yeah, right…

quarta-feira, 4 de março de 2009

Shark Attack

Ora aqui vai uma cartinha que remeti aos rapazes da Maxmen, na sequência do artigo Shark Attack, publicado na edição de Janeiro 2009. Valham-nos as fotografias da lindíssima Sofia Arruda, que sempre ajudam a lavar os olhos (e a alma) depois da leitura de páginas tão tristemente simples...

* * *

Estimados senhores,


Chamo-me João Correia e trabalho com tubarões (dentro e fora do nosso País) desde 1994.

A minha actividade tem sido desenvolvida no Jardim Zoológico de Lisboa (como tratador de tubarões em 1995); no Oceanário de Lisboa (como curador da colecção de 1997 a 2006 e como consultor desde essa altura); na Escola Superior de Tecnologia do Mar (como docente de várias disciplinas na Lic. em Biologia Marinha e Mest. em Estudos Integrados Oceânicos); e na empresa Flying Sharks (como sócio-gerente e fundador desde 2006).

Paralelamente, fui um dos fundadores da Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação de Elasmobrânquios (www.apece.pt) em 1997; desenvolvi o meu trabalho de campo de Lic. e Mest. na Ilha Bimini (Bahamas) em 1994 e 95; desenvolvi o meu doutoramento (a ser defendido na Univ. de Aveiro em Maio e que já ganhou o Prémio do mar Rei D. Carlos em 2006) na pesca comercial de tubarões e raias em Portugal; tenho largas dezenas de publicações científicas e apresentações em congressos nesta área; e viajo frequentemente para Bruxelas para reuniões de trabalho que visam ‘lobbying’ por melhor legislação que proteja os tubarões e raias nos mares, em colaboração com organizações como a Shark Alliance (www.sharkalliance.org).

Finalizada esta introdução, que, espero, ateste que tenho alguma legitimidade para falar sobre este tema, confesso-me estupefacto com o vosso artigo ‘Shark Attack’ (edição Jan. 09), que me foi encaminhado por um aluno recentemente.

Não vou ‘corrigir’ os diversos disparates escritos pelo autor, Ron Laytner, porque tal tratar-se-ia de um exercício tão fútil como o de explicar a um arrumador de carros a importância de se ganhar a vida de uma forma honesta e legítima; ou como explicar, às pessoas que reclamam das pipocas no cinema, que há salas com pipocas e há salas sem pipocas. Há coisas que simplesmente não valem a pena.

Dirijo-me a vós, directamente, com um pedido: DOCUMENTEM-SE devidamente antes de imprimirem artigos escritos por pessoas que vivem com 30 anos de atraso em relação ao resto do mundo.

Quando li o vosso artigo simplesmente não conseguia acreditar que estava a ler algo publicado em 2009. O discurso, o grafismo, a tónica sensacionalista e o entusiasmo frenético por SANGUE deixaram de estar na moda há várias dezenas de anos, mas dir-se-ia que o vosso editor desconhece esse facto.

As publicações modernas exaltam a importância da conservação dos recursos marinhos e dão ênfase ao papel desempenhado por todos os elementos de um ecossistema. É um facto que os tubarões e raias fazem parte do ambiente marinho, e não só, e ocupam predominantemente o papel de predador de topo. Também é um facto que, ocasionalmente, seres humanos são mordidos/magoados por tubarões. Mas também o são por cães, leões, tigres, ursos, crocodilos, serpentes, hipopótamos, medusas e variadíssimas outras espécies. Estes ‘encontros imediatos’ são ocasiões, sem dúvida, infelizes. E, contudo, menos frequentes, a nível MUNDIAL, do que o número de acidentes rodoviários no IC19 em cada semana.

Compreendam que o discurso ‘os tubarões gostam de carne humana’ é, para além de FALSO, motivo de alegre chacota por parte de todas as pessoas que têm um entendimento rudimentar sobre o meio marinho. Asseguro-vos que este tipo de artigo serve de base a conversas, em tom trocista e cínico, sobre a incapacidade frequente da imprensa em se documentar devidamente sobre os temas publicados.

Repito o meu conselho: DOCUMENTEM-SE devidamente sobre os temas que publicam, de forma a evitarem o embaraço de serem alvo de risos e comentários trocistas. Nessa linha, deverão buscar fontes alternativas, e FIDEDIGNAS, de informação. Este artigo, baseado quase exclusivamente nas palavras tendenciosas do Sr. Vic Hislop, um fervoroso defensor da política ‘o único tubarão bom é um tubarão morto’, peca de uma forma assustadora pela completa e total ausência de uma perspectiva alternativa à visão sanguinária deste cavalheiro.

Honestamente, esperava mais de uma publicação como a vossa. :-(

Cumprimentos sinceros,

João Correia

domingo, 18 de janeiro de 2009

A Onda, o Logótipo e o Impacte


I - A Onda


Correndo o risco de este blog estar, lentamente, a transformar-se num fórum de crítica de cinema, devo aconselhar todos a irem ver A Onda (Die Welle), filme alemão de Dennis Gansel.


Um filme simplesmente imperdível, baseado em factos reais que ocorreram na California em 1967. Podem clicar em thewave.tk para saber mais detalhes.


II - O Logótipo


No filme falou-se em logotipos e não resisto a perguntar: alguém me explica porque diabo se começou a escrever logótipo nos últimos anos?? Até o diabo do spell-checker do MS Word me sublinha logotipo como errado e me corrige a palavra automaticamente para logótipo.


Meus amigos, eu não sou linguista, mas parece-me que se trata de um erro grosseiro e perpetuado por mentes pouco articuladas...


Vejamos, a palavra logotipo tem duas partes: logo + tipo. Do grego palavra e símbolo, mais coisa menos coisa. Neste tipo de palavras, o acento nunca vem na primeira metade da mesma. Exemplos: Geografia, Filosofia, Fotografia.


Não esqueçamos, contudo, que o Geógrafo é o gajo que trabalha em Geografia; o Filósofo é o gajo que trabalha em Filosofia; o Fotógrafo é o gajo que trabalha em Fotografia.


Assim sendo, parece-me que o Logótipo é o gajo que trabalha com Logotipos.


E chamar Logótipo ao objecto do seu trabalho faz tanto sentido como chamar Geógrafia, ou Filósofia, ou Fotógrafia aos objectos de trabalho dos rapazes referidos anteriormente…


Agora a sério: alguém me explica de uma forma substanciada de onde diabo vem este Logótipo insidioso??


III - O Impacte


O Impacte faz-me lembrar o Controle... Ambos são invenções de quem não estava contente com os tradicionais Impacto e Controlo. Há alguns anos, durante aulas de mestrado em que se falava de questões ambientais, explicaram-me que se usava o termo impacte quando se abordam matérias de natureza ambiental, para se distinguir este impacto do impacto não ambiental.


Mas, meus amigos, um impacto é um impacto, seja ele ambiental ou mecânico. Da mesma forma que uma bofetada é sempre uma bofetada, seja ela de luva branca ou daquelas que deixam cinco dedos temporariamente tatuados numa face. Ou vamos criar a palavra bofetade para distinguir as bofetadas que doem no ego daquelas que doem na cara?


Para os teimosos defensores do conceito impacte deixo o seguinte exercício:


Que palavra usariam para descrever o choque de um camião de resíduos tóxicos contra uma árvore protegida?


Abraços e beijocas,


João

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Jean-Claude Van Damme


Bom dia, rapaziada!

Já não adicionava nenhum post há bastante tempo!

Muito trabalho, etc., blá, blá, blá, as desculpas do costume...

Até que me colocaram este link à frente, que é simplesmente imperdível e tinha de ser partilhado:

www.newsweek.com/id/169176.

Apreciem ou, como dizem os americanos, enjoy!

:-)

domingo, 31 de agosto de 2008

TED: Ideas worth spreading

TED significa Technology, Entertainment e Design. Trata-se de uma conferência, que começou em 1984, e que reúne pessoas desses três mundos. Ao longo do tempo o âmbito deste evento tornou-se bastante mais vasto. Actualmente a conferência anual atrai os pensadores mais ilustres do planeta e desafia-os a darem a melhor palestra das suas vidas em 18 minutos.


O site TED talks permite-nos ver essas palestras, que são positivamente fenomenais. A primeira que vi, e que me manteve colado à cadeira até ao último segundo, foi a de Sir Ken Robinson, que expressou as suas ideias sobre a forma como o sistema educativo mata a criatividade. Absolutamente imperdível. Cliquem aqui para ver.