
Há poucos dias conversava com um amigo acerca do derrame de petróleo no Golfo do México e o meu amigo dizia “Sabes que mais, João?... Tens razão quanto àquilo de não haver nenhuma Conspiração mas, pelo contrário, haver é uma grande dose de badalhoquice...”
Passo a explicar... Depois do 11 de Setembro surgiram rapidamente teorias que indicavam o Governo Bush como sendo responsável pelo atentado. Eu cá defendia exactamente o contrário. E vi a minha "teoria" corroborada pela discrepância monumental que há entre os livros + filmes (do Michael Moore e outros) e a realidade. É um facto que o governo Bush recebeu informações que sugeriam que algo de "grande" ia acontecer. Há memorandos e notas internas que já vieram a público. E que fizeram com essas informações? Nada.
Há quem diga que não fizeram nada porque isso servia interesses económicos de grandes lobbies petrolíferos. Eu cá acho que não. Acho que não fizeram nada por badalhoquismo. Puro e simples.
A ÚNICA atitude que revelou um rasgo mínimo de inteligência, nessa saga toda, foi terem APROVEITADO os ataques para legitimizar a invasão do Afeganistão e poderem, finalmente, construir um pipeline através do país, obra essa sistematicamente recusada pelos chatos dos Talibãs.
O clima de "Luta contra o Terror" que se instituiu a seguir também não foi nada mal esgalhado porque serviu para autorizar a invasão do Iraque, golpe de mestre que permitiu criar um corredor de passagem de petróleo desde o Afeganistão até ao Golfo Pérsico.
No fundo os rapazes usaram os ataques às Torres Gémeas para, numa jogada brilhante e digna de uma rodada vencedora no "Risco", sacarem os países que lhes faltavam para cumprirem o seu objectivo de domínio absoluto do Médio Oriente. A única pedra que ainda resta no sapato é o malvado Irão... Mas esse é um ninho de vespas tão delicado que nem os americanos se atrevem a cutucá-lo... Valha-nos esse pequeno rasgo de sensatez ou já estávamos num cenário tipo "The Road"...
Mas as atitudes "espertinhas" ficaram por aí.
Tudo o resto é badalhoquice da mais simples e imberbe que se pode imaginar.
A famosa "Crise" não foi fruto de uma cabala monstruosa mas sim de péssimas decisões económicas. Leiam um capítulo sobre este tema no livro "Predictably Irrational" do Dan Ariely e ficarão a entender a "Crise" como nunca.
Mas o exemplo mais recente deste badalhoquismo institucionalizado chegou há algumas semanas na forma de uma "simples" fuga num tubo a 5.000 pés de profundidade.
E parece que ninguém o consegue tapar.
Então e aquela tecnologia toda para pôr sondas em Marte? Ah, é verdade... Falhou das primeiras vezes porque havia cálculos em sistema métrico e outros em sistema imperial...
Então e a tecnologia usada no telescópio Hubble? Também não era grande coisa porque foram precisas não sei quantas missões (de biliões de dólares cada) para alinhar um conjunto de espelhos que foram para o espaço desalinhados...
Então e a tecnologia usada para colocar o Space Shuttle no ar? Hmmm... Se dividirmos o número de voos com acidentes pelo número total de voos apercebemo-nos, tristemente, da terrível taxa de insucesso desta máquina... Chiça, que é preciso "tê-los no sítio" para ser astronauta, porque não há outra máquina que pife tanto como o Space Shuttle.
Então e aquele poderio militar impressionante da máquina de guerra americana? Também não é lá grande coisa porque andam atrás de um velhote, perdido nas montanhas afegãs e agarrado a uma máquina de hemodiálise, há QUASE NOVE ANOS e ninguém o encontra.
Há quem diga que não o encontram de propósito. Please... Já imaginaram OS PONTOS que serão marcados por quem capturar o Bin Laden? Quem não quereria marcar uma pontuação dessas??
Mas o que eu aprecio MESMO é o papel de Hollywood nisto tudo... Particularmente de filmes fantásticos como Armagedon, Missão Impossível, A-Team, James Bond e afins. Tanta máquina louca, tanto satélite espião, tanta vigilância e software Echelon que (supostamente) monitoriza as conversas e emails de toda a gente no mundo... Mas... Quando se precisa MESMO que essas tretas tecnológicas resolvam um problema REAL, népia...
Então o Presidente da Nação mais Poderosa que a nossa Espécie jamais conheceu vem à televisão dizer que não têm a tecnologia necessária para tapar um tubo a 5.000 pés e que isso tem de ser feito pela BP??
Lindo.
É que 5.000 pés são cerca de 1.600 metros. Não estamos a falar da Fossa das Marianas, que tem 11.000+ metros de profundidade. Estamos a falar de uma profundidade a que ROVs e submarinos operados por seres humanos JÁ FORAM! E vão todos os dias!
Dezenas, centenas, MILHARES de MENTES BRILHANTES do Mundo inteiro andam a mandar palpites e sugestões à BP. Mas ninguém dá conta do malvado tubo roto.
Teoria de Conspiração?
Tenham juízo... Estamos nas mãos de badalhocos que nem a tabuada devem saber...
Tenham mas é cuidado e TRATEM DAS VOSSAS vidas porque não são os Governos, seguramente, que vão tratar.
Aguentem-se, que temos loucos ao leme!!
Os Doors é que tinham razão, quando escreveram a canção "Ship of Fools"...
:-)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Ship of Fools
Postado por
João Correia
às
10:19
1 comentários
Marcadores: Bin Laden, BP, Conspiração, Obama, Petróleo
domingo, 6 de janeiro de 2008
Os americanos e o Bin Laden
Fiquei perfeitamente atónito com a notícia do cancelamento do Lisboa – Dakar 2008. Confesso que ainda não recuperei do choque e considero que esta é uma das notícias mundialmente mais significativas dos últimos tempos. E é com muita pena que verifico, mais uma vez, que a imprensa, e a sociedade em geral, não aproveitam para colocarem as questões certas.
Por exemplo:
- Questão 1: Do que é que os americanos estão à espera para apanharem o Bin Laden?
- Questão 2: Se os palermas da Al Qaeda tiveram este resultado com uma simples ameaça verbal, o que vai ser do mundo a partir de agora? Quando os gajos nos mandarem saltar, saltamos todos, sob pena de ataques terroristas?
- Questão 3: Quando é que Deus dá uma coluna vertebral aos Franceses?
Não resisto a tecer alguns comentários adicionais a estas questões.
Relativamente à primeira questão, já todos temos uma resposta (não oficial) na ponta da língua e essa resposta é, simplesmente: Os americanos não apanham o Bin Laden porque não o querem apanhar. Esta teoria não é novidade.
Mas, se eu fosse jornalista, principalmente de um jornal de grande tiragem norte-americano, eu aproveitaria este episódio triste para perguntar, preto no branco: como é possível que o exército mais poderoso que a Humanidade já alguma vez conheceu não consiga capturar um velhote que vive, supostamente, numa caverna do Afeganistão, atrelado a uma máquina de hemodiálise e um gerador? Vejamos:
- Os tipos têm satélites que conseguem vigiar os pêlos púbicos de todos os indivíduos que vivem neste planeta, incluindo os seus animais de companhia;
- Os tipos conseguem monitorizar os emails que circulam pelo mundo inteiro, e apanhar palavras-chave (i.e. flags), através do sistema Echelon;
- Os tipos conseguem entrar nas contas bancárias de todos, prender toda a gente sem causa justa, atirar com qualquer pessoa com o teor de melanina mais elevado na pele para dentro dum calabouço e dar-lhe choques eléctricos nos testículos até ele confessar o assassinato do Presidente Abraham Lincoln, há mais de cem anos;
- Os tipos têm aviões, tanques, óculos de visão nocturna, coletes em Kevlar, mísseis tele-guiados que podem ser apontados para a carica de uma garrafa de Coca-cola dentro de um armazém;
- Já para não falar de uma população altamente motivada para vestir 50 quilos de equipamento e ser despachada para o mundo inteiro e matar infiéis como modo de vida, etc., etc., etc.
Como é que esta máquina de guerra altamente poderosa não encontra o caraças de um velhote há mais de seis anos?
Mas a questão mais pertinente de todas, na minha perspectiva, é, simplesmente, porque é que a imprensa mundial não coloca esta questão continuamente, sem cessar, sem parar? Encostem os tipos às cordas! Perguntem-lhes isto a toda a hora, como se fossem o Bart e Lisa Simpson no banco de trás do carro do Homer, em viagem: Are we there, yet? Are we there, yet? Are we there, yet? Are we there, yet? Quando é que vocês apanham o Bin Laden? Quando é que vocês apanham o Bin Laden? Quando é que vocês apanham o Bin Laden? Quando é que vocês apanham o Bin Laden? Quando é que vocês apanham o Bin Laden?
Se os tipos forem suficientemente pressionados, eventualmente só terão uma de duas saídas:
- Saída um: apanhar o caraças do Bin Laden;
- Saída dois: responder continuamente não conseguimos.
Porque, obviamente, os tipos não nos podem dar a resposta que todos gostaríamos de ouvir, e que é Rapazes, vocês não levem a mal, mas ainda não apanhámos o Bin Laden porque não nos dá muito jeito, ok? Questões económicas, tem a ver com o Petróleo, taxas de juro, e tal... Muito complicado... Não se preocupem com isso e deixem-nos tratar destes assuntos, que é para isso que cá estamos, ok? Agora vão lá à vossa vidinha e deixem-nos trabalhar descansados. Sabem que mais? Eu até teria algum respeito por um político que tivesse os cojones de me responder isto porque, pelo menos, era uma resposta honesta.
Vamos à segunda questão, que nos remete imediatamente para um campo empedrado no Afeganistão, onde os homens da aldeia correm de um lado para o outro, montados nos seus cavalos, e usam uma cabra (morta) como bola de futebol. Nas bancadas, desse jogo colorido e divertido, o Bin Laden e os seus amigos (e o sussuro tecnológico da máquina de hemodiálise, acompanhado do berreiro estridente do gerador) rebolam de tanto rir. Eh pá, por esta é que eu não esperava! Chiça, foi só escrever uma cartita com umas ameaças e aqueles patetas cancelaram aquela treta toda? E agora têm de indemnizar não sei quantos milhões aos concorrentes?! É lindo, caragos!
Mas imagino que a risota não fique por aqui e que os malfeitores (para usar a expressão de que o Presidente GWB tanto gosta) já se tenham apercebido da verdadeira significância deste acto. Ó rapazes! Vocês já se aperceberam do que é que isto significa? A trabalheira que isto nos vai poupar? Se já soubéssemos desta em 2001 não precisávamos de ter mandado aquela malta toda tirar o brevet lá na Florida! E não precisávamos de ter mandado o World Trade Center ao chão o que, a brincar a brincar, ainda me foi ao bolso nuns milhares porque o meu portfolio de acções em empresas americanas levou um valente tiro com aquela brincadeira toda. E também não precisávamos de ter mandado aos ares aquele comboio espanhol. Se bem que, essa, até nos valeu a pena porque, afinal, sempre conseguimos que os soldaditos espanhóis que estavam no Iraque fossem a toque de caixa para casa...
Moral da história: o que é que se segue? O Bin Laden diz aos Portugueses Ou vocês fecham os Pastéis de Belém, ou nós mandamos a Ponte 25 de Abril abaixo? É uma pena estes rapazes não canalizarem este poder imenso para o Bem, em vez de o utilizarem sistematicamente para o Mal. Porque é que eles não se viram para os Japoneses e exigem Ou vocês param de matar baleias ou nós mandamos pelos ares todos os vossos jogos de Baseball, seus imitadores de americanos da treta... Ou já se esqueceram que os gajos vos pulverizaram duas cidades em 1945? Mas, também, do que é vocês estavam à espera, depois de nivelarem Pearl Harbor sem aviso nenhum?
Os acontecimentos tristes em torno do cancelamento deste Dakar levam-nos imediatamente à terceira e última questão. Já todos sabíamos que os Franceses não têm grande estômago para lidar com adversidade. Aliás, recordemo-nos na forma como capitularam incondicionalmente assim que a primeira bota nazi pisou um queijo Brie. Os tipos gostam de se armarem em espertos e de fingirem que são valentes, e é por isso que testavam ogivas nucleares no Atol de Muroroa, nos anos 80, apesar da indignação da comunidade internacional. Mas, convenhamos, a O.N.U. passava-lhes uns raspanetes e os gajos largavam as bombas na mesma, simplesmente porque não havia ninguém a fazer-lhes frente de uma forma séria.
Mas, agora, a Al Qaeda ameaça mandar umas bombas no Rali e qual é a resposta deles? Aumentar a segurança? Não. Pedir ajuda aos americanos que, bem ou mal, enchiam os céus africanos de helicópteros e os desgraçados dos beduínos que ali andassem é que iam levar com os tiros quando não parassem a vozes de comando americanas Hold it right there, man! Do not take another step! Pimba, mais um beduíno morto. Mas não. Não foi nada disto que os franceses fizeram. Pediram desculpa aos participantes, começaram a fazer as contas e, olha, vamos todos para casa. Para o ano há mais.
Para o ano? Para o ano o Bin Laden volta a fazer o mesmo, ou vocês ainda não perceberam o precedente extraordinário que abriram? Para o ano vem outro telefonema. E no outro... E no outro... E no outro...
Postado por
João Correia
às
12:18
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